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quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Importância de escolher um bom substrato

Para não variar…tive mais uma sementeira atribulada.
Como diz o ditado: “o barato sai sempre mais caro” - pois então…foi mesmo isso que me aconteceu!
O substrato vegetal que utilizei este ano, na germinação das sementes, foi este que se vê na imagem seguinte. Um saco de 50L que custou 3.50€; bem mais barato do que aqueles que utilizei nos anos anteriores (da Siro).
Pior ainda foi que não adquiri só um saco…

Este meu desabafo até pode “cair” entre os visitantes como uma sentença inquisitória…
Não é minha intenção denegrir a empresa que distribui este artigo mas, verdade seja dita, como cliente do produto ganhei o direito de expressar a minha opinião. E é exactamente isso que farei!
Este substrato pode ser bom para muitas coisas…até para plantar chouriças e alheiras…mas para usar na germinação de sementes hortícolas é uma “ADREM” (peço desculpa pelo sotaque minhoto…)!!!
ADREM para o substrato, e ADREM para o camelo que comprou gato por lebre (estou a fazer o gesto do Zé Povinho…)!

A sementeira “real” foi no dia 8 de Março, mas no dia 14 coloquei mais umas quantas sementes para germinar – sempre com a intenção de prevenir percalços (na próxima fico quieto…para não atrair maus agoiros…). 

Esta imagem já foi tirada após a Páscoa (uma semana?), e como se pode ver as plantas não desenvolvem.
O substrato é tão inapropriado (ácido) que já queimou mais de 20 tomateiros; e estes iam todos pelo mesmo caminho se não os mudo para outro substrato.

Eu já referi que a sementeira principal foi em Março, mas no dia 1 de Fevereiro também semeei alguns tomates e pimentos.
Dessa data tenho actualmente 2 tomateiros Jóia de Oaxaca e 2 pimentos Marconni Gold. Também havia semeado alguns Cherokee Purple mas não germinaram.
Estes dois tomateiros maiores, que se encontram em vasos, são esses Jóias de Oaxaca semeados em Fevereiro.

Na data que tirei a imagem tinham menos de um palmo de altura - neste momento já são maiores do que isso. E além disso já os passei para um vaso maior, pois com esta chuva e frio não convêm ainda os colocar na terra (horta). Também já possuem um “cacho” de flores, onde uma delas já está quase aberta.

Estou a dar a maior das atenções a estes dois tomateiros, pois será graças a eles que poderei degustar tomates mais cedo em 2012. Caso contrário, e graças… ao substrato de ADREM…só comeria tomates em finais de Julho ou meados de Agosto (como em 2009).

O tabuleiro das cucurbitáceas - que como se vê nem tudo germinou -, e do que germinou, aquelas folhas mais pequenas, que são meloas, já foram à vida…com os agradecimentos do substrato da dita cuja…
De resto, são duas espécies de abóboras, que estavam destinadas para fazer de porta enxerto nas meloas, etc.
Ainda tenho esperança de fazer os tais enxertos…e este ano…
Também já semeei mais uma carrada de cucurbitaceas novas – para as “rectas e curvas*”…
(*Ironia caustica)

Aqui também só havia cucurbitaceas, mas só germinaram as meloas – que entretanto, mesmo após já as ter passado para outro substrato, estão a definhar em lamentações angustiantes… 
As melancias Orangeglo, que coloquei a germinar nestes copos, seguiram os pergaminhos de outras aventureiras cá da horta…e foram germinar para os antípodas…
Também semeei 6 sementes do melão Small Persian (eram as últimas – e nunca cheguei a provar este melão). Pois as malandrecas… também foram de viagem para o outro lado do mundo…
Ah!, valentes…

Este é o substrato que adquiri recentemente, para trocar com o que havia nas plantas germinadas.
O preço foi o dobro do referido no início deste post; e ainda tem menos 5L em compostagem.
Desta vez misturei-lhe terra da horta. Assim a olho…foram 4 ou 5 pazadas de terra para este saco inteiro.
Até agora não me posso queixar, pois as plantas que passei para este substrato já estão a recuperar!

Neste caso serviu os objectivos imediatos, mas vendo bem as coisas, acho que a Siro sai mais em conta, pois um saco de 70L custa oito euros e tal… E a Siro é uma marca que já utilizei sem ladainhas…
Vai parecer um conselho anti-patriota… mas digo-o à mesma: no Leclerc há a vender substrato de muita boa qualidade (sacos de 80L)!


Estes tomateiros estavam a definhar tal e qual aos que se vê na terceira e quarta imagem deste post. Passeios para o novo substrato, uma semana antes da Páscoa, e veja-se como depressa “arrebitaram”. Neste momento já tem o dobro de tamanho que se vê na imagem.


Pena foi que, nessa altura, só tenha tido tempo para transplantar estes 13 tomateiros. E 3 deles são porta enxerto (que já estão na “incubadora”).
ADREM = Da família...dos Peopardos...e Gambozinos...

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Melro

Porque hoje é dia mundial da poesia, e porque esta semana vi noutro blog (AQUI) um post de uma bela poesia, achei que não era descabido publicar também “nesta horta” uma cativante poesia.
Confesso que não sou muito afecto à poesia – sou mais à prosa! Talvez derivado (?) à minha iniciação… que verdade seja dita, foi muito áspera…com poemas de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) e Pablo Neruda.
Encontrei o entendimento da poesia, em primeiro lugar e acima de todos, na simplicidade e pureza dos versos de Guerra Junqueiro. Com ele aprendi que a poesia não é “chata nem um bicho-de-sete-cabeças”…pois ele transmite os sentimentos com muita limpidez.

Para quem estiver interessado em ler boa poesia, aconselho estes dois livros do autor:
O poema que apresento de Guerra Junqueiro, descobri-o aqui há uns dez a doze anos atrás; e achei-o tão eloquente e sublime que merece destaque neste dia em honra dos poetas.
O poema não é livro, pois encontra-se inserido entre outros poemas no livro “A Velhice do Padre Eterno” (este livro é uma sátira à religião...mas salva-se o poema do Melro)
E porque não o melro (?), essa avezinha tão eloquente na arte da poesia, do canto em serenata e da oração.
Dá gosto de ouvi-lo logo após o amanhecer (Primavera e no Verão), a plenos pulmões, acordar toda a vizinhança, em cantos de louvar e graças aos Céus, pelo dia de paixão que tem pela frente.
E ao final do dia, é um regalo escutar a sua oração mais melancólica, num tom suave e cansado, de uma jornada plena de graças…
Nota:
Aviso já - este poema é belo mas também é trágico. Portanto, quem for muito susceptível é melhor ter uns lenços à mão…
O MELRO

          O melro, eu conheci-o:
Era negro, vibrante, luzidio,
          Madrugador, jovial;
          Logo de manhã cedo
Começava a soltar, dentre o arvoredo,
Verdadeiras risadas de cristal.
E assim que o padre-cura abria a porta
          Que dá para o passal,
Repicando umas finas ironias,
          O melro; dentre a horta,
          Dizia-lhe: "Bons dias!"
          E o velho padre-cura
não gostava daquelas cortesias.

O cura era um velhote conservado,
Malicioso, alegre, prazenteiro;
Não tinha pombas brancas no telhado,
          Nem rosas no canteiro:
Andava às lebres pelo monte, a pé,
          Livre de reumatismos,
Graças a Deus, e graças a Noé.
O melro desprezava os exorcismos
          Que o padre lhe dizia:
Cantava, assobiava alegremente;
          Até que ultimamente
          O velho disse um dia:

"Nada, já não tem jeito!, este ladrão
          Dá cabo dos trigais!
          Qual seria a razão
Por que Deus fez os melros e os pardais?!"

          E o melro entretanto,
          Honesto como um santo,
          Mal vinha no oriente
          A madrugada clara,
Já ele andava jovial, inquieto,
Comendo alegremente, honradamente,
Todos os parasitas da seara
Desde a formiga ao mais pequeno insecto.
E apesar disto, o rude proletário,
          O bom trabalhador,
Nunca exigiu aumento de salário.

Que grande tolo o padre confessor!

          Foi para a eira o trigo;
          E, armando uns espantalhos,
          Disse o abade consigo:
"Acabaram-se as penas e os trabalhos."
Mas logo de manhã, maldito espanto!
          O abade, inda na cama,
Ouvindo do melro o costumado canto,
          Ficou ardendo em chama;
          Pega na caçadeira,
          Levanta-se dum salto,
E vê o melro, a assobiar, na eira,
Em cima do seu velho chapéu alto!

          Chegou a coisa a termo
Que o bom do padre-cura andava enfermo;
          Não falava nem ria,
Minado por tão íntimo desgosto;
E o vermelho oleoso do seu rosto
Tornava-se amarelo dia a dia.
E foi tal a paixão, a desventura
(Muito embora o leitor não me acredite),
          Que o bom do padre-cura
          Perdera  o apetite!

Andando no quintal, um certo dia,
Lendo em voz alta o Velho Testamento,
Enxergou por acaso (que alegria!,
          Que ditoso momento!)
Um ninho com quatro melros, escondido
          Entre uma carvalheira.

E ao vê-los exclamou enfurecido:

"A mãe comeu o fruto proibido;
Esse fruto era minha sementeira:
          Era o pão, e era o milho;
          Transmitiu-se o pecado.
E, se a mãe não pagou, que pague o filho.
É doutrina da Igreja. Estou vingado!"

E, engaiolando os pobres passaritos,
          Soltava exclamações:
          "É uma praga. Malditos!
Dão me cabo de tudo esses ladrões!
Raios os partam! Andai lá que enfim"

E deixando a gaiola pendurada,
Continuou a ler o seu latim,
          Fungando uma pitada.

Vinha tombando a noite silenciosa;
E caía por sobre a natureza
Uma serena paz religiosa,
          Uma bela tristeza
Harmónica, viril, indefinida.
          A luz crepuscular
Infiltra-nos na alma dorida
Um misticismo heróico e salutar.
As árvores, de luz inda douradas,
Sobre os montes longínquos, solitários,
Tinham tomado as formas rendilhadas
          Das plantas dos herbários.
Recolhiam-se a casa os lavradores.
Dormiam virginais as coisas mansas:
          Os rebanhos e as flores,
          As aves e as crianças.

Ia subindo a escada o velho abade;
A sua negra, atlética figura,
Destacava na frouxa claridade,
          Como uma nódoa escura.
E, introduzindo a chave no portal,
          Murmurou entre dentes:

          "Tal e qual tal e qual!
Guisados com arroz são excelentes."

Nasceu a Lua. As folhas dos arbustos
Tinham o brilho meigo, aveludado,
Do sorriso dos mártires, dos justos.
Um eflúvio dormente e perfumado
Embebedava as seivas luxuriantes.
Todas as forças vivas da matéria
Murmuravam diálogos gigantes
          Pela amplidão etérea.
São precisos silêncios virginais,
Disposições simpáticas, nervosas,
Para ouvir falar estas falas silenciosas
          Dos mundos vegetais.
As orvalhadas, frescas espessuras,
Pressentiam-se quase a germinar.
Desmaiavam-se as cândidas verduras
Nos magnetismos brancos do luar.

E nisto o melro foi direito ao ninho.
Para o agasalhar, andou buscando
Umas penugens doces como arminho,
Um feltrozito acetinado e brando.
          Chegou lá, e viu tudo.
Partiu como uma flecha; e, louco e mudo,
Correu por todo o matagal; em vão!
Mas eis que solta de repente um grito
Indo encontrar os filhos na prisão.

"Quem vos meteu aqui?!" O mais velho,
Todo tremente, murmurou então:

"Foi aquele homem negro. Quando veio,
Chamei, chamei Andavas tu na horta
Ai que susto, que susto!, ele é tão feio!
Tive-lhe tanto medo! Abre esta porta
E esconde-nos debaixo da tua asa!
Olha, já vão florindo as açucenas;
Vamos a construir a nossa casa
          Num bonito lugar
Ai! quem me dera, minha mãe, ter penas
          Para voar, voar!"

         E o melro alucinado
          Clamou:

                         "Senhor! senhor!
É porventura crime ou é pecado
          Que eu tenha muito amor
          A estes inocentes?!
Ó natureza, ó Deus, como consentes
Que me roubem assim os meus filhinhos,
          Os filhos que eu criei!
Quanta dor, quanto amor, quantos carinhos,
          Quanta noite perdida
          Nem eu sei...
          E tudo, tudo em vão!
          Filhos da minha vida
          Filhos do coração!!!
Não bastaria a natureza inteira,
Não bastaria o Céu par voardes,
E prendem-vos assim desta maneira!
          Covardes!
A luz, a luz, o movimento insano,
Eis o aguilhão, a fé que nos abrasa
          Encarcerar a asa
É encarcerar o pensamento humano.
A culpa tive-a eu! Quase à noitinha
          Parti, deixei-os sós
A culpa tive-a eu, a culpa é minha,
          De mais ninguém! Que atroz!
          E eu devia sabê-lo!
Eu tinha obrigação de adivinhar
Remorso eterno! eterno pesadelo!

Falta-me a luz e o ar! Oh, quem me dera
          Ser abutre ou fera
Para partir o cárcere maldito!
E como a noite é límpida e formosa!
          Nem um ai, nem um grito
Que noite triste!, oh, noite silenciosa!"

E a natureza fresca, omnipotente,
          Sorria castamente
Com o sorriso alegre dos heróis.
          Nas sebes orvalhadas,
Entre folhas luzentes como espadas,
          Cantavam rouxinóis.

         Os vegetais felizes
Mergulhavam as sôfregas raízes
A procurar na terra as seivas boas,
Com a avidez e as raivas tenebrosas
Das pequeninas feras vigorosas
Sugando à noite os peitos das leoas.
A lua triste, a Lua merencória,
          Desdémona marmórea,
Rolava pelo azul da imensidade,
Imersa numa luz serena e fria,
          Branca como a harmonia,
          Pura como a verdade.
E entre a luz do luar e os sons das flores,
Na atonia cruel das grandes dores,
          O melro solitário
Jazia inerte, exânime, sereno,
Bem como outrora o Nazareno
          Na noite do calvário!

Segundo o seu costume habitual,
          Logo de madrugada
O padre-cura foi para o quintal,
Levando a Bíblia e sobraçando a enxada.
          Antes de dizer missa,
O velho abade inevitavelmente
          Tratava da hortaliça
E rezava a Deus-Padre Omnipotente
          Vários trechos latinos,
Salvando desta forma, juntamente,
As ervilhas, as almas e os pepinos.

E já de longe ia bradando:

                                "Olé!
          Dormiram bem? Estimo
          Eu lhes darei o mimo,
Canalha vil, grandíssima ralé!
Então vocês, seus almas do Diabo,
Julgam que isto que era só dar cabo
          Da horta e do pomar,
E o bico alegre e estômago contente,
E o camelo do cura que se aguente,
Que engrole o seu latim e vá bugiar!
Grandes larápios! Era o que faltava
          Vocês irem ao milho,
          E a mim mandar-me à fava!
Pois muito bem, agora que vos pilho
Eu vos ensinarei, meus safardanas!
Vocês são mariolões, são ratazanas,
Têm bico, é certo, mas não têm tonsura
E, nas manhas, um melro nunca chega
Às manhas naturais de um padre-cura.
O melhor vinho que encontrar na adega
É para hoje, olé! Que bambochata!
Que petisqueira! Melros com chouriço!
          E então a Fortunata
Que tem um dedo e jeito para isso!
Hei-de comer-vos todos um a um,
Lambendo os beiços, com tal gana enfim,
Que comendo-vos todos, mesmo assim
Eu fico ainda quase em jejum!
E depois de vos ter dentro da pança,
          Depois de vos jantar,
Vocês verão como o velhote dança,
Como ele é melro e sabe assobiar!"

Mas nisto o padre-cura, titubeante,
          Quase desfalecendo,
Atónito de horror, parou diante
          Deste drama estupendo:

O melro, ao ver aproximar o abade,
          Despertou da atonia,
Lançando-se furioso contra a grade
          Do cárcere. Torcia,
Para os partir os ferros da prisão,
Crispando as unhas convulsivamente
          Com a fúria dum leão.
Batalha inútil, desespero ardente!
Quebrou as garras, depenou as asas
          E alucinado, exangue,
          Os olhos como brasas,
Herói febril, a gotejar em sangue,
Partiu num voo arrebatado e louco,
          Trazendo, dentro em pouco,
Preso do bico, um ramo de veneno.
E belo e grande e trágico e sereno,
Disse:
          "Meus filhos, a existência é boa
Só quando é livre. A liberdade é a lei,
Prende-se a asa mas a alma voa
Ó filhos, voemos pelo azul! Comei!" -

E mais sublime do que Cristo, quando
Morreu na Cruz, maior do que Catão,
Matou os quatro filhos, trespassando
Quatro vezes o próprio coração!
Soltou, fitando o abade, uma pungente
Gargalhada de lágrima, de dor,
E partiu pelo espaço heroicamente,
Indo cair, já morto, de repente
Num carcavão com silveiras em flor.

E o velho abade, lívido d'espanto,
          Exclamou afinal:
"Tudo o que existe é imaculado e é santo!
Há em toda a miséria o mesmo pranto
E em todo o coração há um grito igual.
Deus semeou d'almas o universo todo.
Tudo que o vive ri e canta e chora
Tudo foi feito com o mesmo lodo,
Purificado com a mesma aurora.
Ó mistério sagrado da existência,
          Só hoje te adivinho,
Ao ver que a alma tem a mesma essência,
Pela dor, pelo amor, pela inocência,
Quer guarde um berço, quer proteja um ninho!
Só hoje sei que em toda a criatura,
Desde a mais bela até à mais impura,
Ou numa pomba ou numa fera brava,
Deus habita, Deus sonha, Deus murmura! 
*
Ah, Deus é bem maior do que eu julgava"

E quedou silencioso. O velho mundo,
Das suas crenças antigas, num momento,
Viu-o sumir exausto, moribundo,
          Nos abismos sem fundo
Do temeroso mar do Pensamento.
E chorou e chorou A Igreja, a Crença,
Rude montanha, pavorosa, escura,
Que enchia o globo com a sombra imensa
Dos seus setenta séculos d'altura;
O Himalaia de dogmas triunfantes,
Mais eternos que o bronze e que o granito,
Onde aos profetas Deus falava dantes,
Entre raios e nuvens trovejantes,
Lá dos confins sidérios do infinito;
Esse colosso enorme, em dois instantes
Viu-o tremer, fender-se e desabar
          Numa ruína espantosa,
Só de tocar-lhe a asa vaporosa
Duma avezinha trémula, a expirar!
 *
 E, arremessando a Bíblia, o velho abade
Murmurou:
                "Há mais fé e há mais verdade,
          Há mais Deus concerteza
Nos cardos secos dum rochedo nu
Que nessa Bíblia antiga Ó Natureza,
A única Bíblia verdadeira és tu!..."

Guerra Junqueiro
«O facto em que se baseia este poemeto, conquanto pouco conhecido, é absolutamente verdadeiro.
Os melros e algumas outras aves, como os pintassilgos e os rouxinóis, quando lhes encarceram os filhos, envenenam-nos. Muitas vezes, (sarcasmo trágico, crueldade sublime!) deixando-os vivos, arrancam-lhes a língua!
Ora, nem todos os melros, pintassilgos e rouxinóis assassinam os filhos, quando lhos prendem. Só o fazem os mais extraordinários, os mais heróicos. O que demonstra que a acção é livre e responsável, e não um simples produto duma fatalidade orgânica.
É pena que Michelet ignorasse este facto. Que páginas divinas que ele não teria escrito! “L´Oiseau” ficou incompleto.»

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Não sou nenhum espert em matéria de ornitologia, apenas um simples conhecedor de jardim.
Isto para dizer que, tenho para mim que os melros são um tanto ao quanto fugazes e desconfiados mas, quando estão em plena temporada de criação são os "antípodas" da descrição que acabei de fazer, ou seja: são destemidos e sem vergonha, até quase que lhes chamaria provocatórios... Mas tudo, claro está, em sacrifício pelos filhotes.
(Admiro a personalidade desta ave!)
É verdade que ainda estamos em Março mas, com este tempo tão anormal e quente, é bem possível que já haja namoricos consumados...
 Imagens retiradas da Internet.

O Povo votou, o Povo escolheu...

Para provar que também levo em consideração a opinião dos visitantes desta horta, decidi levar a cabo um inquérito de opinião, e do qual dou a conhecer em pormenor os resultados. 
Depois de ter suprimido o anterior blog (A Horta d`Avó), criei este com o seguinte nome: Paixão da Horta. Poucos dias depois achei que o nome não se enquadrava...e assim suprimi o "d", e ficou Paixão a Horta.
Primeiro o Paixão da Horta "suava-me" que a horta tinha uma paixão... Depois de algum tempo já com o "d" suprimido fiquei a matutar...a que soava..."Paixão a Horta"... Vai dai então, lembrei-me de passar a "batata quente" para os fregueses...
Enfim, ganhou o "Paixão pela Horta", que como se pode ver já passou a ser o nome deste blog.
Agradeço a todos os participantes! E um especial merci...aos dois votantes do "Paixão na Horta"!
Eu gostava de comentar mais sobre o auspicioso... incentivo destes dois votantes mas...para não estragar o bailarico...digo apenas que a vizinhança da horta é muuuuuuuiiiiiiito coscuvilheira e má língua. Só mesmo em noites escuras como breu...E mesmo aqui há sempre a visita dos "miaus-miaus" em paixão felina e fedorenta... que convenha-mos...não abona nada na promoção de paixões ao luar...Além disso há a possibilidade das geadas queimarem as regueifas...

(Não me procurem pois FUI de novo para a Patagónia...)

«Qual nome acha mais correcto»:
 
Paixão a Horta?
  5 (14%)
 
Paixão da Horta?
  5 (14%)
 
Paixão pela Horta?
  23 (65%)
 
Paixão na Horta?...
  2 (5%)
 

Votos apurados: 35
Sondagem fechada ********************************************************************

P.S. - Está a decorrer outro questionário, caso queira participar...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A Primavera chegou...

Estas imagens foram tiradas no dia 27 de Novembro, e se não me falha a memória… foi no Alto Minho, Portugal, no final do Outono…acho eu…
Onde é que está o frio que se devia fazer sentir, nesta época, cá por esta zona????????
Estas árvores frutíferas estão de novo a florir, e pela segunda vez este ano???
Isto anda tudo maluco…

As Estações ou o Meridiano perderam algum parafuso?...

QUERO FRIO!!!
Sem o frio não posso fazer transplantes de árvores (as vinhas selvagens para enxertos). Nem sequer para colocar estacas este tempo serve…
Enquanto as folhas não caírem todas (nas árvores de folha caduca), não se deve podar (eu também só o farei no minguante de Janeiro), nem transplantar árvores, arbustos e roseiras.  

Nectarina

Macieira

Pessegueiro

Pessegueiro

domingo, 18 de setembro de 2011

Comentários de visitantes

«Ai que saudades eu tenho de morar no campo. É tão bom ter um quintal com esses miminhos. Deve sentir-se muito feliz por trabalhar a terra. Obrigado por nos mostrar tanta beleza.»


Lá isso de gostar de trabalhar a terra não o nego, agora feliz?...
Tem anos…
Este ano estou “numa” de fado-amargurado…


« reparei que intercala flores nas filas.excelente ideia além de dar um magnifico aspecto à horta»

As flores (cravo da índia e basílico roxo) servem como repelente.
Explicação: O cravo-da-índia é considerado um grande insecticida natural. Ao cultivar junto dos pés dos tomateiros, afasta as pragas de insectos que normalmente atacam os frutos. Pelo menos isto eu posso garantir, pois este ano não houve insectos “colonizadores” (ao contrário de 2010).
O basílico também é repelente, não tanto como o cravo, mas sempre dá outro panorama à horta, e além disso liberta um cheiro cativante…
Outra coisa que reparei este ano, foi que as abelhas adoram o cravo-da-índia (vá lá…ao menos sempre existe algo que só repele os maus…).
Deixo aqui três links interessantes:
- AQUI
- AQUI
- AQUI




«Viva Amigo! Estou a ver que a campanha deste ano foi muito triste, tanto trabalho para tão pouco retorno! Já eu tirando um tomatinho ou outro foi um ano muito bom, pois não consigo dar vazão a tantos tomates maduros ao mesmo tempo, e quem se consola são os vizinhos, e pena tenho eu não morarmos mais perto pois levava com tomates todos os dias! Um abraço Rui Esteves»

Viva Rui,

Pois esta temporada é mesmo para esquecer.
No ano passado fiz as asneiras nas cucurbitáceas, mas os tomates salvaram-se (tirando a falta de sol na segunda fileira). Este ano começou nos tomates e depois passou às cucurbitáceas (mas aqui foi o oídio, juntado a minha ausência da horta…).
O amargurante nisto tudo, é que as flores abortaram TODAS; ou seja, tomates nascidos ainda na fase do desenvolvimento da doença, ainda existe a possibilidade de os comer. Acabando estes tomates, posso arrancar tudo, pois sem flores a produzir não vale a pena “estarem a ocupar sala”.
Olha, já arranquei vários pés, sem tomates e flores.
Rui, agradeço a oferta mas já estou “servido”. Olha, aproveita os “excessos” e faz polpa de tomate multicolor.
Abraço,
António


« Biba!

Que razia!
O ano não é nada bom, mas não me posso queixar muito...
Foi a primeira vez que plantei tomates (16 espécies) e do que frutificou pouco se estragou! Alguns tomates até me surpreenderam pelo tamanho e pelo volume do cacho.
Curiosamente tb pulverizei nutriquisa nos tomates e não obtive efeitos maléficos! Utilizei o produto ao anoitecer apenas porque sobrou dos melões.. (utilizei nos melões porque detectei sinais de falta de molbidenio).
Ainda mais curioso, foi o facto de eu plantar cravo de defunto a intervalar com  cada pé de tomate, e mesmo assim sofrer ataque de um lagarto que entra e come os tomates verdes por dentro tipo broca; tenho mais razões de queixa deste bicho do que do mildeo!
Mas aquilo que mais me desanimou foi o sabor... cultivei na expectativa de sabores exóticos e diferentes, principalmente o oaxacan jewel; mas de todas as espécies que comprei e cultivei, todas me sabem a tomate.. um simples tomate! diferem quase nada! O unico diferente em sabor foi o great white: sabia a limão no inicio, mas depois tb perdeu isso..

Em relação ás doenças, eu encontro duas uma explicações plausiveis: Segundo a agricultura biológica, eliminar as ervas daninhas na totalidade é um erro; aliás, o ideal é misturar as culturas na horta entre si e deixar as ervas absorverem alguns bichos (beneficos e maléficos)...
Nada na natureza nasce por acaso, até uma mosca tem a sua utilidade; basta eliminar algum membro da cadeia, e o ecossistema debilita-se..
Outro facto é a poda; nasceram tomateiros no meu quintal sem nimguem os capar, estacar, ou sulfatar... resultado: tem tomates a crescer (mais pequenos é certo) mas zero de doenças; estão verdinhos e viçosos!

(pode parecer uma ideia um pouco zen, mas observem e pensem nisso)


Saudações

José Silva



Viva!

A razia foi tanta que, em mais tomateiros do que 2010, tenho quase a certeza…que colherei menos tomates. Se chegar até Setembro com tomates, já me dou por contente… No ano passado, comi tomates desde meados de Julho até meados de Outubro (e terminei a temporada com imensos tomates nos tomateiros – verdes, é claro).
Sem flores não há frutos.

«Ainda mais curioso, foi o facto de eu plantar cravo de defunto a intervalar com  cada pé de tomate, e mesmo assim sofrer ataque de um lagarto que entra e come os tomates verdes por dentro tipo broca; tenho mais razões de queixa deste bicho do que do mildeo!»

Estranho… pois o cravo-da-índia tem fama de ser um dos maiores insecticidas naturais.
Eu tenho imagens, que já saquei em 2008, onde se vê os cravos-da-índia junto dos pés dos tomateiros. Só não as publico porque não me lembra do site onde as retirei (para poder deixar um link); e eu como não quero publicar algo que não é meu, sem o tal endereço, não me atrevo.
Sobre as flores “repelentes”, só posso dizer que não tenho queixa!

«Mas aquilo que mais me desanimou foi o sabor... cultivei na expectativa de sabores exóticos e diferentes, principalmente o oaxacan jewel; mas de todas as espécies que comprei e cultivei, todas me sabem a tomate.. um simples tomate! diferem quase nada! O unico diferente em sabor foi o great white: sabia a limão no inicio, mas depois tb perdeu isso..»

Vou-lhe dizer uma novidade…Você redescobriu o Brasil!!!
Ó homem, é claro que sabe a tomate! É um tomate!
Por acaso as uvas morangas são de facto (no “âmago”) morangos?!

(Neste momento estou a necessitar da ajuda de um grande Chefe cozinheiro…)

Prontos, eu confesso: mea maxima culpa!
Parece que eu tenho um dom que vai além da realidade… Sonhos e sabores exóticos…
Sim, eu sei que me “entusiasmei” na descrição de algumas espécies, principalmente o Jóia de Oaxaca. Mas já reparou que há longos meses apaguei o comentário original?!
Eu queria dizer que o J.O. era um tomate com semelhanças de um pêssego (tal como o site o descreve). Para um tomate até têm essas semelhanças – na minha opinião!
Muito sinceramente pergunto-lhe: O jóia de Oaxaca (por exemplo) tem o sabor de um tomate normal?????
Porra!!! Se você disser que sim, então eu tenho o paladar encravado (para não dizer outra palavra)....
Eu podia-lhe dar aqui imensos casos semelhantes, seja em tomates como noutros hortícolas – mas já vi que não vale a pena…

Peço perdão a todos os visitantes da horta a quem induzi em erro! Sinceramente.
Em especial às pessoas a quem ofereci sementes em 2010: Rui Esteves, Alexandre, Maria Tita e António Soares.

Não volto a descrever o sabor de mais nenhum tomate.
Ainda bem que as sementes foram oferecidas, caso contrário ainda recebia alguma intimação…
Ah, e aos que já prometi sementes este ano, ainda vão a tempo de desistir das minhas sementes… pois os sabores são simplesmente vulgares…
A todos os visitantes da horta, um aviso: não adquiram sementes destas espécies antigas (por mim apelidadas de exóticas), pois será uma perda de tempo, dinheiro e uma enorme desilusão gustativa…

Ainda bem que brevemente abandono o blog…


«Em relação ás doenças, eu encontro duas uma explicações plausiveis: Segundo a agricultura biológica, eliminar as ervas dainhas na totalidade é um erro; aliás, o ideal é misturar as culturas na horta entre si e deixar as ervas absorverem alguns bichos (beneficos e maléficos)...
Nada na natureza nasce por acaso, até uma mosca tem a sua utilidade; basta eliminar algum membro da cadeia, e o ecossistema debilita-se..»

Pois…eu gostava era que a agricultura biológica me dissesse, o que fazer com a “pratada” de larvas que retirei da horta?... E não foram só aquelas, cada vez que arrancava uma beldroega, junta da raiz havia sempre uma a duas lagartas.
Porquê nos outros anos não encontrei esta praga?!
Outra coisa: por detrás das meloas, deixei crescer TODA a espécie de erva daninha. Resultado: quando choveu, os ramos rasteiros das meloas, no meio das molhadas ervas daninhas, fizeram com que fosse o rastilho para o oídio. E foi, como você diz, “uma razia”!




«Outro facto é a poda; nasceram tomateiros no meu quintal sem nimguem os capar, estacar, ou sulfatar... resultado: tem tomates a crescer (mais pequenos é certo) mas zero de doenças; estão verdinhos e viçosos!»

Já li sobre isso.
É um bom tema para aprofundar – mas não agora…

Saudações

José Silva

« A coisa vai mesmo má por esses lados...Eu de tomateiros percebo pouco mas a grande maioria deles parecem ter necrose apical, não? Pelo que andei a ler isso deve-se a um regime de regas erratico em que a terra seca muito entre regas...
Eu desisti da rega gota a gota pq não conseguia uma rega decente na horta, mas lá está, os climas em q cultivamos são um bocado diferentes...Não sei...é só uma ideia...Abraço»


Viva Alexandre!

Pois agora com essa “dica” (rega) fiquei aqui mais confuso…
Por acaso, foi por essa altura (quando coloquei o sistema gota-a-gota) que a doença apareceu?...
No ano passado e em 2009 não tive tomates doentes. É verdade que foram dois verãos quentes, e também é verdade que os tomates estavam debaixo “da espécie de estufa”, mas também não utilizei rega gota-a-gota, nem o fertilizante foliar.
E agora?...
Sobre a necrose apical: pois também fui pesquisar mais sobre o assunto, e o que eu chamo de míldio, segundo li, é de facto a necrose apical.
A necrose apical não é uma doença (fungicida), é na verdade uma carência de cálcio, que aparece normalmente com as tais regas irregulares. É claro que o solo é o principal “problema”, pois se fosse um solo com PH “dito” normal, teria evitado esta maleita… 
Mesmo fazendo o possível da rotação das culturas, não consigo fugir ao inevitável… É uma horta com pouco espaço de manobra, pois existem várias árvores frutíferas (bastava a figueira e o limoeiro desaparecerem que já me dava uma boa margem de manobra. Mas está fora de questão derrubar qualquer árvore, pois são seres com vida, e quem sou eu para a extinguir?...). Se deixar a horta “descansar” uma ou duas temporadas…fico sem comer tomates e melões caseiros, durante dois anos…

(Pois se houver algum engenheiro agrónomo, a ler este comentário, e quiser dar uma ajuda…nem que seja por mail…Gostava de saber o que posso fazer ao solo, visto que a horta não tem grande espaço de rotação, e eu não quero estar afastado vários anos, sem cultivar nada??? Qual a probabilidade de ter em 2012, as mesmas doenças que houve na horta este ano??? Quero cultivar tomates e melões/meloas. – Aceito opiniões/concelhos de além fronteiras.)


Parece que o leite ajuda a evitar a necrose apical. Um litro de leite gordo, ou meio gordo, para 12 litros de água. A mistura deve ser regada na seguinte medida: um litro para cada tomateiro (pé).
O leite é indicado porque tem cálcio, este é o lado bom; mas o leite também pode trazer problemas (tema a desenvolver noutra altura…se alguém quiser saber…).
Não tive “todas” as doenças de tomateiros que menciono no final do post, mas tive várias.
Para além de ter tido as folhas dos tomateiros murchas (verticillium), também tiveram bastantes folhas/rama com o sintoma de míldio (por isso já faz 3 doenças…).
Enfim, foi como se um copo transbordasse com 3 gotas de água…todas elas contribuíram para encher o copo.
Sobre o regime de rega irregular, concordo! Mas também saliento que, só se tornou errático após o aparecimento da doença.
Saudações,
António


« Boas.... para mim tb foi uma razia, pois para alem do maldito, malfadado, horrivel e outros tantos adjectivos que poderia arranjar par ao Mildio, tb estive sempre a "lutar" contra o piolho.... uma amiga minha falou-me precisamente dos cravos defuntos, mas acrescentou-me outra hipótese que diz (e ela geralmente sabe do que fala...) que é uma planta de absinto que já no entra nada desses pequenos predadores.... segundo ela se uma dessas palntinhas estiver no meio da horta (complementado ou nao com os cravos defuntos) ja nada dessas "coisas" entra... ja alguém experimentou? Que me dizem?»

Viva!
Bem, eu estou contente com o cravo-da-índia, por isso já não encontro necessidade do absinto.
Sendo totalmente rigoroso, então é assim: cultivei 48 pés de tomate, e em quarenta e sete pés, não encontrei uma só lagarta ou piolho. Excepção feita ao Andino Cornue Amarelo (laranja), onde encontrei duas lagartas no primeiro cacho de tomates nascido.
Piolho, lagartas e outros insectos indesejáveis, este ano por aqui não “pousaram”!
Culpa do tempo ou dos repelentes naturais (Cravo e Basílico)?!
Eu acredito seriamente que os repelentes são, de facto, eficazes!

Olá António!
Vi o seu comentário em relação ao solo e à necrose dos tomateiros. O que eu sei é que no caso do solo ser muito ácido e ter uma carência de cálcio deve-se aplicar cal e/ou cinzas quando se prepara a terra para plantar. Outra grande fonte de cálcio é a casca de ovo,reduzem-se as casas a pó e aplica-se nos pés das plantas em pequenas.
Espero ter ajudado.

Os melhores cumprimentos
Anabela

domingo, 17 de julho de 2011

Opinião

Parabéns. gosto de ler e ver estas coisas da agricultura...
Sou um iniciante curioso nestas andanças, e sobre a época/lua para as sementeiras, fiquei baralhado com estes artigos encontrados :
 http://www.agrisustentavel.com/discussoes/dlunar.htm
 http://www.girafamania.com.br/primitiva/astrologia-lua.htm
Se poder espreitar para comparar ... não sei se estarei a ser útil.
obrigado pela sua disponibilidade.

Viva!

Agradeço os links sobre as fases da lua na agricultura.
Gostei bastante do primeiro link, já o segundo me pareceu mais “esotérico”…
Quanto ao quadro de sementeira, no calendário lunar, pois a minha humilde opinião é que me parece uma boa lição para guardar. Em todo o caso, não quer dizer que tudo o que é bem cultivado/colhido na Áustria, pelo tal quadro, o seja no nosso país.
Posso é garantir que sempre irei semear curcubitáceas na lua Quarto Crescente, exactamente como “enaltece” o quadro. Já hortícolas que sejam “susceptíveis” a espigar (couves, beterraba, nabos, etc), semearei noutra lua diferente da citada em cima.
Olhe, um exemplo: a alface Pommée da Rússia, que semeei nas anteriores vezes sempre na lua Q.C., este ano semeei-a no Q.M.
Resultado: Não espiga…mas também perdeu outras características que me eram muito caras, ou seja, não é estaladiça e o sabor já não me sabe tão bem.
Voltará com a lua Q.C - pouco me importa que espigue com força…
Resumindo e concluindo: pois não há nado como cada um fazer o seu próprio calendário! Sim, eu sei que levará alguns anos, mas será sempre uma boa herança para “quem chega”.
Em todo o caso, a sapiência do Seringador e Borda d`Àgua, é deveras recomendável.
Todas as opiniões e sugestões são sempre úteis e bem-vindas!
Saudações,
António

Olá, antes de mais, muitos parabéns gosto muito do seu blog. Tenho aprendido muito! Sei que não deve por cá andar tão cedo, pelo que li, mas qd voltar diga qualquer coisa. bem mas vamos ao meu comentario sobre F1. As linhas parentais dos F1 são apuradas de modo a serem o mais homozigotico possível (nas caracteristicas que importam). O que significa por ex meloa A, é aa num determinado gene e a meloa B é bb.Todos os descendentes vão ser obrigatoriamente ab.Agora no F2: temos 2 pais que são ab, mas os filhos deles podem ser: aa, bb, ab. Isto em várias caracteristicas ou genes ao mesmo tempo dá uma salganhada! Se fosse só 1 gene ainda tinhamos 50% de hipotese de ter meloas Gália (ab + ab = aa,ab,ba,bb, em que ba=ab), mas em muitos dá filiação muito diferente de uns para os outros!!! As sementes puras, são homozigoticas na maioria das suas caracteristicas que importam, portanto se o pai e a mão são aa, os filhos também o são! Não percebo especialmente de genética vegetal, nem de nenhuma genética em especial, mas esta é a base por detrás dos F1, muito simplificada, claro! Espero ter contribuído alguma coisa! Muitos parabéns e espero que volte em breve. Marisa
«
Fico contente que esteja de volta! Quando puder fale mais do cultivo dos pepinos... As variedades que cultiva foi por troca de sementes, ou foram compradas? Se foram compradas, onde, se puder divulgar? Estou curiosa com o tão elogiado Satsuki Madori... Marisa
«
Olá, estava a ver os comentarios e não pude deixar de pesquisar sobre a "Counsoude Russe"
Deixo aqui alguns links que espero que gostem:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Consoude
http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2008/10/consolda.html
http://www.gardenersworld.com/how-to/projects/make-a-comfrey-feed/
Marisa

Olá, viva!

Marisa, você nem imagina como eu fiquei “homozigotico”, depois de ler o seu primeiro comentário…
Primeiro fui saber quem era “este tipo”, o homozigotico (cheguei a imaginar que fosse o dragão que lutou com S. Jorge…); depois reli o comentário mais meia dúzia de vezes e finalmente lá compreendi a “equação genética”.
Pois está esclarecido…o meu genoma é AA, BB, AB, BA, AABBABBA.
Só pode…
E não sou sueco nem canto num grupo pop
Claro que contribuiu para alguma coisa - pois acabo de descobrir a minha filiação…
Bem, agora deixando as coisas sérias e passando para as “hilariantes”…
(eu acho que o meu genoma, para alem de ser aquela miséria…também deve ser lido de trás para a frente…)

Sobre o pepino Satsuki Madori: é verdade, foi através de uma troca de sementes que obtive esta espécie.
Sites à venda com esta espécie não encontrei muitos (de três que fui ver só encontrei um). Por isso aconselho o francês Kokopelli: são sementes puras. São 3.30€ por cada embalagem de sementes mais 5€ e tal de portes. Eu sei que é caro mas é garantido. Além disso, se reparar lá no site, a imagem do Satsuki Madori é diferente do que eu cultivo na horta. O porquê é simples: Provavelmente…a pessoa que me enviou estas sementes, cultivava outras espécies e não as protegia, assim sendo, o pepino já “sofreu” alguma hibridação/mutação (?).
No ano passado cultivei duas espécies (Suyo Longo e Poona Kheera), este segundo voltou este ano, mas posso-lhe garantir uma certeza, estas duas espécies aqui já não voltam mais.
O primeiro achei-o um pouco amargo (diferente do que anunciava o site), e o segundo “insiste” em não se desenvolver, e é demasiado atreito às formigas (que por sua vez são atraídas por imensos ovos depositados nas folhas, por algum insecto). É bom mas não vale o trabalho (mas nada haver com o Satsuki)!
Olhe, podia-lhe oferecer sementes, mas já não ofereço! O porquê é simples: como já o disse num artigo do blog, este ano semeei 10 sementinhas que descortinei no “baú”, mas só germinou uma. Ora, já provei esta segunda-feira o primeiro pepino da temporada, e o resultado foi AMARGO… Porquê? Não sei… Ou melhor, sei… já sofreu uma hibridação, só pode..
Eu volto afirmar o mesmo que disse no tal artigo do blog sobre este pepino – ele é bom e nunca é amargo!
Agora este que tenho aqui já não é nada disso, por isso, e para não passar por embusteiro, não lhe ofereço sementes, pois seria uma enorme decepção.
Aqui era o momento (…) de lhe oferecer sementes de algumas espécies de tomates mas, a coisa está mal…tão mal que já decidi não cultivar rigorosamente nada em 2012…
Estou tão desgostoso (e tudo se passou na última semana), que neste momento a horta só me causa aflição e amargura. Só tenho vontade de chegar lá e arrancar TUDO, pois assim acabava com a dor, pois como diz o ditado: “longe da vista longe do coração”.
Enfim…
Agradeço-lhe os links sobre a Consolda. Adorei ler o segundo (Cantinho das Aromáticas)!
Eu sabia que era uma planta extraordinária, mas assim tanto não imaginava.
Uma coisa eu garanto: quem quiser ver abelhas “raras” é só cultivar a Consolda e a Phacelia. Estou-me a lembrar de 3 espécies que nunca havia visto.
A pessoa com quem eu fiz a troca (sementes), também me enviou outra planta muito querida na agricultura biológica (Tanaisie), infelizmente as três plantinhas não sobreviveram no envelope dos correios.
Sim, a Consolda e a Tanaisie só são cultivadas através de rebentos, pois não dão sementes (pelo menos na consolda eu nunca vi sementes).
Saudações,
António

P.S. – Agradeço a contribuição da Marisa e do Pereira.
Peço-vos desculpa por só agora responder! Em todo caso, já havia anunciado que estou afastado da net, e que só cá vinha a espaços.
Com o meu último desânimo, mais afastado irei estar…


Satsuki Madori 2009


Satsuki Madori 2911
publicado por António às 18:03

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Acutalização da temporada

De volta da Patagónia…

Bem, vou tentar sintetizar a “chafurdice” do post anterior (não vá a “minha freguesia” pensar que eu “fundi os fusíveis”…).
Então é assim: Eu quando faço um artigo para o blog, faço-o aos poucos – escolha e redimensionamento de imagens e, depois escrevo os comentários -, e vou guardando no World.
Ora, eu já havia começado há algumas semanas a escrever aquilo, só que depois deu-me a preguicite e fui-me esquecendo do artigo. Quando me voltei a lembrar, não me apeteceu mesmo nada estar a fazer os comentários, vai daí…deu-me para fazer dos comentários já escritos uma “brincadeira” um pouco “eleitoral” e sem nexo…
Resumindo e concluindo: Foi uma enorme “arruada”…Uma boa maneira de fugir aos comentários, pois o que não comentei assim fica…
Por isso, nos tempos e anos mais próximos… não contem com grandes comentários…


1º de Junho
(Chiuuuuuuuuuuuuuuu…silêncio que as “crianças estão a crescer…)



No dia que tirei estas imagens ainda não havia colocado o sistema de rega gota-a-gota. Neste momento está concluído (num próximo post será visível).



O plástico não estava previsto ser colocado mas, depois daquela tempestade de granizo que se abateu na zona de Lisboa, aqui à 3 ou 4 semanas (?), resolvi que mais vale prevenir!
Apanhava cá um desgosto para a vida…se acontecesse um “cataclismo” igual aos meus hortícolas (Xôôôôôôôô, vade retro, satana!)….



O maior tomateiro (para já…).
Acho que já tem 130cm.



Uma das novidades de 2011.
Espécie originária da Holanda (não sei se irei anunciar os nomes de algumas das novidades deste ano…).



Outra novidade – da Rússia.





São Jóias de Oaxaca.



Outra novidade, com o nome parcialmente visível na etiqueta.
É um tomate cereja.
Esta espécie produz cachos de mais de 80 tomates (pelo menos hoje confirmei isso em relação às flores – Neste momento tem 2 cachos com mais de 200 flores).



Uma alface Pommée da Rússia. “Protegida” por um cravo-da-índia e uma hortelã roxa.



Uma meloa.
Estou um mês atrasado… no que se refere ás cucurbitaceas (este ano só me deu para as semear no 11 de Abril – L.Q.C.).
Antes tarde do que nunca…



Outra meloa.
Esta, ao contrário da anterior, foi capada.



Os melões.
São 6 pés aqui e mais um que se encontra apanhar “banhos de…sombra”…
Aqui nestes 6 estão quatro espécies (2+2+1+1) – três americanos e um francês.



As melancias.
Eram 3 pés mas, uma já foi às “malvas”…
A espécie é a Blacktail Mountain.
Também semeei sementes da Orangeglo, da embalagem adquirida nos USA, mas como os pimentos (e outras espécies mais), estão a nascer nos antípodas…
Consegui recentemente germinar sementes colhidas no ano passado. E coloquei um pé na horta, para colher…em Setembro ou Outubro…



Pepino Satsuki Madori.
Restava-me 10 sementes das “originais”, pois bem…só consegui germinar uma semente.
Para o ano há mais…



As meloas.
São 4 ou 5 espécies (?), sendo duas dessas espécies apenas um pé.




Consuode da Rússia.
Estas folhas são utilizadas para fazer uma infusão biológica.
Caracterizando o cheiro que deixa após a infusão, eu resumo-a á seguinte palavra: nauseabundo.
Também dá uma flor “castiça”, que atrai umas abelhas “estrangeiras” (para mim…pois eu nunca tinha visto aquelas abelhas por estas “bandas”…).
Vou começar a pedir o passaporte…



O chefe dos “camelos” foi expulso por “correspondência”…e ao domingo!
Porreiro, pá!!!  

P.S. – Volto para a Patagónia… por isso, e possivelmente (?), só virei espreitar possíveis comentários dentro de 15 dias…

Estava sem ideias para o titulo deste post, por isso, foi “o que estava mais à mão”…


Parabéns. gosto de ler e ver estas coisas da agricultura...
Sou um iniciante curioso nestas andanças, e sobre a época/lua para as sementeiras, fiquei baralhado com estes artigos encontrados :
 http://www.agrisustentavel.com/discussoes/dlunar.htm
 http://www.girafamania.com.br/primitiva/astrologia-lua.htm
Se poder espreitar para comparar ... não sei se estarei a ser útil.
obrigado pela sua disponibilidade.
Pereira a 24 de Junho de 2011 às 00:32


Olá
Dá gosto vir espreitar a sua horta...quando será que eu vou ter uma assim tão bonita arranjadinha e sem ervas daninhas lol


beijos e lambidelas da malta
pituxasilva



de cada vez que venho aqui fico maravilhado comesta horta felicidades que continui sempre assim
armando a 14 de Junho de 2011 às 00:15


Olá viva!

Pituxa e Armando, agradeço os comentários, e lamento só agora poder deixa-los visíveis!
Neste momento tenho o PC avariado, por isso estarei ausente com imagens da horta por mais alguns dias (no máximo 15 dias). Logo que seja possível anexo imagens "fresquinhas" da horta.
Esta mensagem que aqui escrevo, está a ser através de um PC privado (casa de Internet).
Saudações,
António

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Paraíso visto antes do Purgatório...

Eis as imagens de como se encontrava a horta d`avó antes das asneiras…
Sim, foi uma sucessão e mistura de asneira, estupidez e burrice!!!
Agora não são os gatos, caracóis ou lesmas que merecem ser tratados de terroristas, vândalos, bin ladens, selvagens, etc. Eu é que mereço todos estes adjectivos e mais alguns (menos o de engenheiro engenhoso…e gay), principalmente o de asno e de irresponsável!...
Eu é que sou o responsável pelo estado deplorável do meloal! Até tenho vergonha de contar o que realmente aconteceu…
Se eu até agora não sabia o que tinha passado, neste momento, como “que despertado” de um estado de amnésia repentino, sei o que realmente se passou, por isso é que eu digo que mereço ser chamado de terrorista!
Pois para além da calda bordalesa, eu misturei mais dois “ingredientes” à dita cuja…e tão burro e asno que sou, que não dei conta que estava a fazer um veneno para as pobres e indefesas plantinhas!
Burro! Calhau! Selvagem!...
Eu que dizia aos “outros” para não lhes darem “ácido sulfúrico”…acabei por ser eu a fazê-lo…
«Bem prega Frei Tomás…»
O que eu fiz foi, imaginem…alguém que vai ao médico porque prevê…que a pele vai cair…e o médico receita-lhe medicamentos para as dores de cabeça…para os dentes…ouvidos…tosse…fígado…lombrigas…e com tanta bosta para mamar… ainda lhe receita pastilhas para o estômago…
A cura está garantida…
Muito dinheiro seria poupado se comprasse directamente o ácido sulfúrico…
Burro! Calhau! Selvagem!...
E eu num post anterior, já havia falado que estes ingredientes, não “me cativaram” nada no ano passado, na luta contra o oídio. Enfim…
A única clemência que mereço… é ser expulso da “Ordem dos Horticultores Meloeiros”…
Eu já avisei…que a Cabidela de enxofre…e o vinho verde vinagrado…que me “impingiram” quando era pequeno… resultou no estado que se encontra “a triste figura que eu sou” (mas o D. Quixote não sou eu…nem o Sancho Pança…Agora só sobra o Rocinante ou a mula…)…
Agora vamos lá saber como cheguei a este resultado: É simples…como se o meu subconsciente soubesse a asneira que eu estava a fazer (?), só me deu para sulfatar os melões (GRAÇAS A DEUS), meloas e melancias ficaram “excluídas”, e neste momento continuam com uma saúde de fazer inveja (bati 3 vezes na madeira…só para o caso de…)!

P.S. Está toda a gente proibida de comentar este post…a não ser que seja para me tratar de asno (aqui já é permitido) …

Alguém acaba de ganhar uma viagem rumo às Berlengas ou Selvagens... O prémio também contempla plantar batatas e cavar milho...
Só são aceites como "premiados"...os políticos...juízes corruptos... e os asnos...






















Imagem do dia: tirando o que se encontra no canto superior esquerdo, e o do inferior direito, todos os outros são da mesma espécie (Old Time Tennessee). São os tais americanos que de início só davam flores fêmea, e depois murchavam...de repente...deu nisto... E agora, por causa da minha burrice...vai tudo para a compostagem!!! Estão murchos.
Outra imagem do dia: Eis a prova da minha culpa! Comp já referi no início deste post, eu só havia sulfatado os melões, não toquei nas meloas, excepto aquela que se vê dentro do círculo (estava a precisar de saúde...), e ao passar sulfatei-a, e recebi o prémio que se vê...Murcha como os melões.
4 comentários:

Mas kem sou eu para comentar...tb as vezes sou uma ASNA grrrrr

Mas é com os nossos erros q aprendemos.

cumprimentos

Mas você pode comentar sempre que quiser - eu não proibi ninguém (estava era brincar quando disse que ninguem podia comentar este post)!

Pois lá diz o povo «à primeira qualquer um cai, à segunda só cai quem quer...»; e não é que eu voltei a cair (a primeira queda foi no ano passado...)!
Asno, parece...uma palavra saída de ASNEIRA... E que grande asneira eu fiz!!!