sábado, 2 de junho de 2012

Poda argelina do tomateiro

Por várias vezes ao longo de dias tentei dar início a este post/artigo, mas ficava sempre apático… e acabava por não encontrar palavras para descrever o tema.
Primeiro porque não sabia qual nome dar em título: se “capar/podar/devastar/mutilar…”??? E segundo porque a primeira imagem é plagiada…
Tentei fazer isto sem pedir autorização do fórum a que pertence, e por isso trabalhei o sistema no Gimp, mas o resultado não serviu (a segunda imagem anexada), pois mal se percebe; além disso não sabia trabalhar com essa geringonça (gimp, etc), e para fazer aquilo levou-me semanas, de tal forma que me fez ganhar mais cabelos brancos…
Resolvi a questão…utilizando a imagem do fórum francês, onde “aproveitei” o “tronco” do tomateiro original, e modifiquei os cachos de tomates mais as folhas e ramos - tudo no Paint.
Assim sendo, o plágio…passa encoberto…pois não me apeteceu ir lá pedir a permissão (já fui membro participante do fórum. Saí por vontade própria, sem qualquer desavenças com quem quer que seja). Mas em todo o caso, deixo aqui os links de referência ao fórum onde eu “bebi” a informação deste artigo! 

Esta forma de capar têm origem na Argélia (la taille algérienne = em francês).
A finalidade desta técnica – ao contrário do que afirmei à Bia, e peço desculpa pela indução em erro -, é obter tomates mais volumosos, e quiçá (?) também saborosos. Mas também possui um senão: isto deve ser feito em temporadas “com previsões” de um Verão longo, pois este proceder atrasa o desenvolvimento da planta – como é lógico! Se fosse feito só o corte após o segundo cacho, e se suprimisse todos os ladrões, com a intenção de não deixar crescer mais o tomateiro, então o resultado seria meia dúzia de tomates enormes…e uma temporada temporã para este tomateiro…
Passo a explicar o procedimento.
- Primeira Geração: É chamado assim ao tronco/caule que vem do solo, e que se corta após o surgimento do segundo cacho de tomates.
A força do tomateiro vai então “recair” em maior percentagem no crescimento dos frutos.
Atenção: nunca fazer o corte sem primeiro haver nascido um ladrão da axila, logo acima do segundo cacho! Este ladrão dará vida à segunda geração deste processo.
Quero aqui salientar que isto é apenas um desenho, e que não representa no original um tomateiro, ou seja: onde se vê os ramos/folhas e os cachos não quer dizer que estão correctamente representados na sua origem. A localização dos cachos e ramos aqui representados, foi feita só em prol do espaço que o desenho dispunha e dava mais jeito.
- Segunda Geração: Chama-se assim ao ladrão que dá seguimento ao tronco principal, mas como já referido, este nasce da axila do último ramo da primeira geração.
Também aqui a equação é a mesma, ou seja: deixa-se nascer mais dois cachos de tomates, e após o surgimento de um ladrão na axila do ramo logo acima do segundo cacho, corta-se outra vez a ponta do caule principal.
De novo a força recairá nos frutos dos dois cachos.
 Terceira Geração: Ou a última! Tudo igual aos processos anteriores. Só que aqui não posso afirmar se haverá tempo para o amadurecimento de dois cachos, ou então até pode haver tempo para três… Fica ao critério do horticultor. Mas ajuda se a ponteira for cortada.

Já referi anteriormente que este processo tem um “senão” – necessita de temporadas longas de calor -, mas fui lisonjeiro… com o “um”, pois existe outro “senão”, e é de levar em grande conta!
Passo a explicar:
Sempre que se corta/poda/capa um tomateiro (etc), está-se a abrir a porta à doença, pois onde foi feito o corte fragilizou a planta, e é exactamente por aí que os “inimigos” atacarão.
Uma planta com todos os seus membros intactos, possui uma enorme percentagem de sair vencedora, se for atacada por uma das várias doenças que um hortícola pode “ter”; ao contrário de uma que foi capada ou podada.
É claro que “todos” utilizamos o capar e podar com objectivos definidos (Frutos temporões. Frutos saborosos. Frutos com maior dimensão); mas também se deve levar em conta que ao “sub-carregar” a planta com tal sacrifício, também se está a desprotege-la das suas defesas naturais!
Não guardei os links de referência sobre este comentário mas, tenho lido já em vários sítios que, muitos horticultores, simplesmente deixaram de capar/podar/devastar tomateiros, tudo em prol de plantas e frutos sãos.
Dois exemplos que me vem agora á memória são: Se carregarem no link que leva para o site de Dan McMurray – encontra-se do lado direito do blog, no “ficheiro” «Hortas e Cia Ltda.» -, e verem as imagens do cultivo dos tomates, perceberão que ali não entra o podar/capar (eu já vi as imagens todas e não encontro nenhum corte). E reparei que não há um só tomateiro “pintado”, ou seja, julgo que o Dan não utiliza sulfate nas suas culturas!
Este proceder só pode trazer benefícios: primeiro para a saúde humana, pois não há pesticidas no que se ingere. Segundo, ao não “mutilar” as plantas e nem “envenena-las” com sulfates, então estas tornam-se mais resistentes às doenças e ao clima.
Isto sim, vale bem o “esforço” de colher sementes destes tomates.
Eu teria entrado em contacto com o Sr. Dan para lhe questionar estes dois temas – capar e sulfatar -, mas como não sei inglês fica só a intenção…
Relembro que estou apenas a supor que Dan McMurray não capa nem sulfata tomates; isto fundamentado só pelas imagens visionadas!
Deixo em seguida dois links onde poderão apreciar mais em pormenor o que já relatei.


O segundo exemplo é o de uma “coleccionadora” americana (julgo que de NY), que cultiva todos os anos mil e tal espécies de tomates, e nem um capa. Nem um ladrão/rebento retira.
Dirá o leitor: “Mas isso assim dá tomates mais pequenos e tardios”?!?
Sem dúvida! Mas também dá frutos mais saudáveis, e com um sabor genuinamente forte a tomate.
Verdade seja dita, já que estou aqui a pregar Frei Tomás…eu vou continuar a capar…mas talvez faça a experiência num tomateiro, de não lhe retirar nem “um cabelo”
Então que fazer quem pretende capar/podar tomates?
É simples…Primeiro acabar de vez com os cortes à mão, pois quando andamos na horta só carregamos “doenças” entre as unhas. Os cortes devem ser feitos com uma tesoura (de cozinha ou roupa), ou então com uma faca.
Desinfectar a tesoura a cada corte! Eu sei que não é prático nem chique...mas basta andar com um pano ensopado de lixívia, e limpar a tesoura a cada corte para se evitar uma possibilidade de infecção na planta. 
Segundo, e tal e qual os humanos, quando nos ferimos utilizamos plantas para sarar (etc), pois então, as plantas também podem sarar com outras plantas!
Sim, mais uma vez o que vou dizer é chato…e não é cómodo…mas se é em prol do nosso bem – pois se queremos comer frutos e legumes sãos -, então não custa nada colocar em prática!
Após cada corte convinha sarar a planta com uma “pomada”, que é: folhas de Salvia, ou Urtigas, ou Consolda, trituradas (a ficar em “pasta”), e deitar em cima do corte. A cinza da lareira também parece ter um efeito de “pomada” (protecção).
É claro que quando se cultiva em grande quantidade, sai mais cómodo… aplicar a “pomada” insecticida…ou fungicida…

Eis os links do fórum: 
 
A -  http://tomodori.com/3culture/taille_sur_une_tige.htm

B - http://tomodori.com/3culture/taill_sur_2-tiges.htm

Este segundo link (B) mostra outra forma de podar, que mais parece um enxerto…
Não lhe dou aqui destaque pois não vejo qualquer benefício com aquele sistema! Aliás, se aquilo fosse feito num tomateiro Coração de Boi, acredito que os tomates seriam do tamanho de um morango…E já não era nada mau…

Resumindo: este sistema nunca poderá ser chamado de capar, pois capar significa retirar os ladrões/rebentos dos tomateiros que nascem nas axilas dos ramos, ou em certas espécies – principalmente os cerejas -, nascem mesmo do tronco e desviado dos ramos. 

Se carregarem em cima das imagens será visível em maiores dimensões!
Produção Jones

Este foi o nome que achei mais correcto para este sistema!
Produção de produzir mais tomates, e o Jones vêm do T.C. Jones, pois foi nesta espécie que fiz a experiência em 2011.
Se forem ver a tabela que eu escrevi sobre a produção de tomates em 2010, notarão que eu indico como produção para o T.C. Jones de 13 tomates. Pois então, em 2011 decidi…que este tomateiro havia de dar mais tomates. E deu!
Este “sistema” é super fácil de fazer, e passo a explicar:
Tal como no sistema anterior, aqui também deixo nascer dois cachos de tomates. Ora, antes de nascer o terceiro cacho “real”, ou mesmo que nasça o terceiro, deve-se deixar nascer um ladrão/rebento logo acima do segundo cacho. Este ladrão/rebento, e ainda com poucos centímetros, dará um cacho de tomates. Mas o ladrão continuará a crescer após o surgimento do primeiro cacho e é aqui quando convêm intervir, ou seja, cortar a ponteira do ladrão após o surgimento do primeiro cacho. Simples!
Eu fiz isto num T.C. Jones – já referido em cima -, e deixei crescer dois cachos de ladrões: um logo acima do segundo cacho real, e o outro foi no terceiro ou no quarto (?).
Enfim, isto para dizer que houve uma altura da temporada que contei os tomates nascidos neste pé, e a contagem deu 26 tomates; mas atenção: havia ainda várias flores. Ou seja, com este sistema dupliquei a produção!
Dirá o leitor que também colhi tomates mais pequenos?
Confirmo!
Se em 2010 os tomates desta espécie eram entre as duzentas e as quatrocentas gramas (e o maior tinha 631gr), com este sistema já pesavam todos entre as 150 a 300 gramas. Não é nada mau!
Também confirmo que amadureceram entre duas a três semanas mais tarde. Mas valeu o esforço por todo o resultado final.
Ah!, é preciso cortar a ponteira para os tomates amadurecerem mais depressa (eu fiz isso quando o tomateiro tinha 1.80/1.90m de altura).
Este é o tal T.C. Jones onde fiz a experiência em 2011. 
A imagem só capta metade do tomateiro (eu tinha imagens de todo o tomateiro mas não a encontro. Eu sei que pode agora parecer conveniente mas é verdade), e mesmo assim já consigo contar 17 tomates. Mas lembro-me muito bem de ter contado 26 tomates - pena não ter a imagem completa.

1 comentário:

João Gomes disse...

Bem, aprende-se muito neste blog.
Belo artigo, muita e boa informação.
Para ler várias vezes.

Abraço
João