segunda-feira, 24 de maio de 2010

Proteção de Sementes

O objectivo de proteger sementes, tem como finalidade poupar despesas na sua aquisição no ano seguinte, bem como a certeza de ter os frutos/hortícolas que se deseja!!!
Se um horticultor, agricultor e jardineiro pensa, que terá sementes puras, só porque cultivou na sua horta uma espécie de cada hortícola – está redondamente enganado!!! É preciso contar com os seus vizinhos. Vamos lá trocar isto por “miúdos”… Um horticultor plantou na sua horta 5 pés de melões X, 6 pés de pepinos X, 2 pés de cabaças X, 4 pés de melancias X, etc., e julgando que pode “descansar à sombra da bananeira”, porque plantou uma espécie de cada hortícola, e que não são hibridáveis entre si, é melhor pensar outra vez… porque o mais certo é a “fava” lhe sair… O porquê é simples: as abelhas não são “exclusividade” de um quintal; elas têm um certo raio de acção na procura do seu alimento, e por isso, pode haver um horticultor a 800m (etc) do primeiro, que plantou outra espécie de melão (Y), e uma abelha, depois de ter poisado numa flor macho, do diferente melão deste segundo horticultor, muda de horta…e vai poisar numa flor fêmea do melão do primeiro horticultor… E que por acaso, dará fruto e será exactamente desse fruto que ele recolherá as sementes… A solução, é a protecção!
Bom, aconselham os conhecedores, que é preciso um mínimo de 1000m (sem garantias totais), entre as culturas – mas garantias são dadas se esse espaço passar a 2000m entre culturas da mesma espécie! Ou seja, lá no meio da Serra… o Asdrúbal plantou melões Branco do Ribatejo, e o seu vizinho mais próximo, o Ambrósio, que habita a 2Km, cultivou o melão Pele de Sapo. Pois estes pachorrentos vizinhos… podem dormir à sombra do chaparro, que as sementes dos seus melões serão garantidamente puras – olé… Parece coisa pouca e fácil...mas não é.
Quando se trata de “manear” sementes correntes do dia-a-dia, a frase anterior até terá sentido, mas se o caso for de obtenção e preservação de sementes raras e exóticas, então faz todo o sentido pôr em pratica a sua protecção e pureza!
Este sistema que aqui apresento (garrafas plásticas) foi pensado e elaborado por mim. Não estou com isto a implorar louros, graças e vaidades! Poderá haver alguém (?), em algum lugar (?), que já tenha elaborado este sistema; nunca encontrei na net imagens que documentem esse facto!
Existe outras formas de protecção, que são as que eu aprendi logo de inicio (deixarei aqui os links), e que são as utilizadas até à data. Mas eu acabei de compreender, que esse sistema (o da fita adesiva), é bom no caso de abóboras e cabaças, mas débil nos melões, meloas, melancias e pepinos. O porquê é simples : as flores das duas primeiras são grandes e fáceis de manear, já as outras cucurbitaceas são de flor pequena, e portanto, mais complicado o seu manuseamento. Assim sendo, coloquei os neurónios a trabalhar, com o intuito de descobrir forma de proteger os melões (etc) com mais eficácia. A “maçã” só me caiu na cabeça já no final da temporada (2009), por isso, deu tempo para ver que daria resultado, mas já não houve tempo de obter sementes com este sistema. Este ano é “a prova dos nove”. Mas eu coloco a minha mão no fogo como este sistema é eficaz !!!
Quero reforçar a última frase com a seguinte nota : eu participo num site de troca de sementes puras (o site é estrangeiro, mas não o irei anunciar a quem quer que seja), e apresentei já no ano passado este sistema ao site ; pois foi bem aceite pelo criador do site, e até hoje, nenhum dos participantes objectou qualquer dúvida ao sistema !
Muito importante este paragrafo: A polinização manual é um acto sexual, quer nós queiramos quer não, e portanto, ao esfregar uma flor macho numa fêmea é um acto anormal para o homem. É um trabalho que o Criador entregou aos insectos, com o maior fardo para as abelhas. Por isso, o homem, em certo sentido, está a fazer a obra de DEUS (neste caso refiro-me à criação de espécies), e a roubar o “emprego” às abelhas, por isso é muito aconselhável disponibilizar flores melíferas às abelhinhas, já que vão ser “expropriadas” de um trabalho, e principalmente, de uma refeição muito apetitosa para elas. E isso mesmo: as flores das cucurbitaceas são um petisco para as abelhas ! Mais: caso algum “forasteiro” ao ver este post, com informações de acto sexual e mais meias de vidro na “ementa”...aviso que este sítio é um blog sério e de respeito, com algumas “maluquices” do seu autor, mas não é um espaço pornográfico. Aceitam-se brincadeiras com o “ latim”, mas já não serão aceites as brejeirices! Para bom entendedor...

Vamos lá então proteger sementes de cucurbitaceas !!!
Quatro objectos são necessários para a protecção:

* Uma garrafa de plástico vazia (pode ser de 2L, mas eu vou utilizar as de 5L).
* Um fio de pano (eu prefiro esta matéria, para não cortar o tronco onde será amarrado).
* Um X-Acto.
* Uma meia de vidro (collant), ou um tecido TNT (tecido não tecido).
De seguida corta-se os topos da garrafa com o X-Acto (cortei pelo fundo da garrafa, desviado 1cm das bordas, deixando desta forma a garrafa arredondada, evitando assim ocasiões de romper a meia de vidro. Em cima, cortei aí a uns 2 cm da curvatura).
O porquê de cortar os topos é simples : a intenção é deixar o ar circular, evitando assim que o calor fermente o pólen e a planta no seu interior.
Depois de ter os topos cortados, cubro a garrafa com a meia de vidro. Sempre com cuidado para não romper ! Isto é como um preservativo: rompendo, “a cegonha” trás novidades...


 Esta imagem mostra o momento em que pego na ponteira de uma rama com flores. A imagem mostra uma melancia, já com as flores abertas, mas como já expliquei, na altura que me lembrei deste sistema, já não havia mais nada disponível. Portanto, agora imaginem, isto que aqui vêem é uma ponteira de um ramo com flores fêmeas, E FECHADAS (assim abertas já não vale a pena a protecção. O sistema tem de ser colocado antes de as flores abrirem).
O mesmo processo agora tem de ser feito com as flores macho, e também com as flores FECHADAS ! Por isso tratem de arranjar várias garrafas ou garrafões, e meias de vidro que cheguem, pois é preciso prevenir...
Por fim, ata-se o fio de pano em volta do tronco e da meia de vidro. Bem atado mas sem mutilar o tronco!
Notas importantes:
Eu aconselho a seguinte polinização : plantar no mínimo 2 pés da mesma espécie. Exemplo – planto 2 pés do melão Casca de Carvalho, um chama-se o A e o outro o B. Agora arranjo 4 garrafões com as meias de vidro, e coloco um garrafão numa ponteira de flores fêmea no melão A e no melão B. O mesmo processo se aplica para o A e B no que se refere às flores macho. Quando for polinizar, retiro uma flor macho do Melão A e vou polinizar a flor fêmea do melão B. A flor macho do melão B será para polinizar a fêmea do melão A !
Simples...
Os garrafões ou garrafas, são para ser colocados quando as flores estão fechadas (logo que nascem), e a polinização é feita quando a flor aparece aberta ; isto é um espaço muito curto de dias. A polinização deve ser feita de manhã, entre as 7 e as 11h, depois com o calor fermentará.
É aconselhável utilizar um mínimo de duas flores machos para cada fêmea, garantido assim uma polinização eficaz. Depois de retirar as pétalas de flor macho, fraccionar na flor fêmea (sem retirar as pétalas) com muita delicadeza.
Depois de polinizada a flor fêmea, voltar a colocar o fio de pano em volta da meia de vidro e do tronco, ficando aí até o fruto se começar a desenvolver (pode ser de uma semana a três semanas...), e depois retira-se definitivamente. O garrafão que estava nas flores macho, depois da polinização já não volta mais. Marcar com delicadeza o fruto que foi protegido e polinizado, por exemplo com um fio de lã um pouco abaixo do fruto, ou com adesivo colorido ; assim o horticultor não esquece que é daquele fruto que deve retirar as sementes para as próximas sementeiras !
Quando se está a fazer a polinização manual, deve-se ter as mãos bem lavadas, e voltar a lavar sempre que se polinizou uma fêmea. Por exemplo : a fêmea do melão A, já foi polinizada com duas ou três flores machos do melão B, agora vou polinizar a flor fêmea do melão B com as flores macho do melão A, mas com toda a certeza, as minhas mãos terão pólen das flores machos da primeira polinização, por isso é aconselhável lavar de novo as mãos.
Muita atenção durante este processo todo, pode uma abelha poisar, tanto numa flor macho como numa flor fêmea, e assim o processo fica sem efeito. O aconselhável é, por exemplo, retirar 2 flores macho do melão A, com cuidado poisar dentro de uma pequena caixa (etc), avançar para a garrafa do melão B, e tentar polinizar a flor fêmea sem retirar a garrafa nem a meia de vidro, sempre com muita atenção para que nenhum insecto (e não é só abelhas), entre e “borre a pintura”!

Tomates
Quanto à protecção dos tomates, aqui a história já é outra…
As flores dos tomates são diferentes dos melões, ou seja, as flores nos tomateiros são hermafroditas – portam os dois sexos dentro da mesma flor. Já não há necessidade de colher uma flor masculina para esfregar na fêmea.
Os insectos são um dos possíveis polinizadores (verdade seja dita que, as abelhas não são muito vistas por “estas bandas”…), mas julgo que não ando longe da verdade, ao dizer que o principal polinizador nos tomates é o vento!
Vamos lá então proteger e polinizar os tomates!
Esta imagem que aqui se vê, foi gentilmente cedida pelo Joba, do Lugar Nunca Pensei.
Eu acrescentei-lhe os rascunhos e as letras.
O C representa o primeiro cacho de tomates que este tomateiro produziu. Já possui todas as flores abertas.
A figura A e B representam o mesmo cacho; o segundo que nasceu no tomateiro. Ora, a protecção de sementes nos tomateiros, deve ser feita sempre (?) neste segundo cacho, mas também pode ser feito no terceiro e quarto, o primeiro é que nunca! O problema é que adiando para o terceiro ou quarto, depois pode ser tarde ao recolher as sementes para secá-las, e às vezes até para amadurecer o fruto, já que só se deve colher sementes de um fruto maduro e saudável! O porquê de não proteger o primeiro cacho, deve-se ao facto de “este primogénito” ser portador de uma ou duas flores “bastardas” (a folha seria de batata).
Voltando ao essencial…
O cacho de cima contêm 5 flores, 4 fechadas no B e uma aberta no A. Ora, a protecção deve ser feita no B, quando as flores ainda se encontram fechadas. Isto é muito fácil de fazer (proteger) quando se trata de cachos de tomates cereja, já que os cachos são mais longos e férteis, agora num tomateiro normal, é um bocadinho complicado…
A solução aqui era enrolar um pequeno fio de marcação à flor A, proteger todo o cacho com uma meia de vidro, ou tecido não tecido (tnt), e depois de nascerem todos (?) na protecção, o fio da flor A indica que aquele tomate não será para colher sementes!
Isto como não tem nada haver com polinização manual, explicado no melões, trata-se simplesmente de proteger, portanto, o tomateiro depois precisa de uma ajuda diária do homem, ou seja – “abanar o pessegueiro”…
A explicação: A flor do tomateiro é hermafrodita, e a polinização não é manualmente, e depois de protegida com os collants, os pequeninos insectos já não podem ajudar, e o vento encontra “obstáculo” na protecção, resta ao homem sacudir ligeiramente as flores, com os dedos, e todos os dias (até se descortinar um tomate do tamanho de uma ervilha). Basta…duas vezes por dia, aí uns 20 segundinhos… O “todos os dias” é só para ter uma certeza…
Este abanar faz o pólen masculino cair no ovário da flor.
Esta imagem é do ano passado. Vê-se um bom cacho protegido com uma meia de vidro.
Julgo tratar-se do Pêche Blanche?...
Notas:
Eu ainda não capei os melões, e muito menos fiz as protecções para as sementes, por isso, imagens desses factos só quando tal acontecer!

Espero que tenham entendido as minhas explicações, já que foi com esse intuito que eu criei o blog, para ajudar os horticultores nas “manhas” que a horta exige. Eu também quando precisei, procurei na net (em português), e não havia nada de nada… Tive depois de me socorrer além fronteiras, na língua francesa, e foi lá que encontrei tudo o que hoje sei…
Digam de vossa justiça – omissões / inexactidões / erros / incompreensões / questões…

No ano passado por esta altura, o PC estava de férias (entre Março até ao final de Junho)…e verdade seja dita, estou com vontade de voltar a “fugir” da net por uns bons tempos… (vou ver se aguento até ao final de Agosto ou Setembro…)

Os links:

http://cucurbitophile.fr/multiplic.php /   Tentar aqui a ver se dá?...

Segundo

Terceiro

"binte e seis"

A seguir ao trinta e sete...

Não me lembro em quantos ia...

Por favor, se não conseguirem ver algum link, indiquem numa mensagem qual! Agradecido.

P.S. - Não se "assustem" por não verem aqui (nos links) imagens com as meias de vidro; eu não encontrei essas imagens mas a pessoa que me ensinou assim, faz parte de um desses fóruns, do qual eu já fui participante!
publicado por António às 13:02
1 comentário:

E pronto.... quem fala assim...dá gosto de ouvir, neste caso de ler.
Parabens. E se for caso disso boas férias na net e bom trabalho na horta.
Vou analisar a história das garrafas este ano a ver se resulta.  joba

2 comentários:

João Gomes disse...

Viva António,
Obrigado por este post, é realmente muito esclarecedor sobre este assunto que me é tão caro.
Vou seguir as suas indicações.
Já agora, e, abusando um pouco, que cuidados devo ter com a recolha das sementes, ou como é que o António faz para recolher sementes com qualidade?
Obrigado.
Abraço
João

Paixão da Horta disse...

João,
Se bem percebo a sua questão, cinge-se à parte da recolha e não da protecção - certo?...
Se for esse o caso, eu no que toca a cucurbitáceas não tenho nenhum "truque na manga", ou seja, eu colho as sementes de um fruto protegido e saudável - e convêm que seja também saboroso -, lavo-as imediatamente e coloco-as a secar dentro de um pires, à sombra durante 20 dias (+/-).
Depois de secas guardo-as dentro de um envelope de cartão/papel, e este dentro de uma caixa de madeira ou uma lata, ou até um frasco de vidro. E num local sem humidade!
Abraço,
António